Visita Inhotim - AIA - 15/05/25

No dia 15/05/2025, a turma 2025/1 realizou uma excursão com os professores de AIA para Inhotim. A experiência foi ótima. Contemplamos e nos divertimos com os amigos, mas todos com a certeza da necessidade de voltar e continuar explorando. Passamos pelas nossas galerias, discutimos e posteriormente ficamos livres para explorar a vontade. Meu grupo se divertiu bastante em várias obras, dentre elas a Cosmococa, que reflete os efeitos da cocaína. 

Nossa galeria foi a True Rouge, a princípio a minha análise da galeria focou nos materiais, texturas e cores usadas, eram eles focados no vermelho e no transparente, sejam em vidros, acrílicos, panos, redes, cordas, esponjas e líquidos, o que fosse para trazer diferentes texturas e perspectivas. Quanto ao impacto e significado da obra, eu me vi quase preso numa rede sanguínea. Pra mim ela tinha um tom bem dramático a partir da disposição dos elementos, os quais estavam de forma despojada, mas encaixados entre si, se sustentando um nos outros e com o vidro refletindo as várias faces da obra. Além disso, alguns materiais traziam estranheza à obra como o coral ou bucha vermelhos, bem como o esfregão, já que toda a obra tinha uma grande fluidez.

Pra mim ela remete o sangue em diversos sentidos (as hemácias, o plasma, leucocitos, plaquetas), era como uma coagulação sanguínea. Talvez até tivesse um sentido religioso, já que é presa ao teto em cruzes, cruzes estas que também parecem marionetizar a obra, como uma orquestra. As taças com "vinho" também podem demonstrar o sangue de cristo nas igrejas e as pequenas bolinhas ainda traziam uma delicadeza e sutileza a mais para tudo.

Link da galeria: https://www.inhotim.org.br/item-do-acervo/galeria-true-rouge/ 

Análise pontual: 

  • Observar aspectos das obras que as tornam mais ou menos contemplativas / interativas.         A obra não era nada interativa e era muito repetitiva, sempre com os mesmos elementos em todas as redes e se houvesse algum que fosse diferente se perderia na repetição massiva dos outros, esse aspecto a deixava apenas contemplativa, mas não por muito tempo, ainda que eu quisesse, uma vez que tentei explorar alturas e até mesmo deitando no chão, era massante e exaustiva, era como se o que tivesse que ser feito com ela já estivesse finalizado.
  • Observar a relação da obra com o prédio. Quais as interferências do prédio na obra? - O prédio é praticamente um cubo branco, mas a obra já é chamativa por si só de longe, por ser bem grande e com uma cor bastante chamativa, mas quase não há diferença observar por dentro ou por fora, até por quê você nem ao menos pode encostar ou se inserir na obra, contemplar do lado interno ou externo é pouco diferente. Entretanto, o prédio serve como um contraste e traz a luz para as peças de luz, dando um efeito interessante nos elementos com certa transparência.
  • Reparar os percursos internos do prédio. Como o prédio nos conduz até a obra? - Ele tem caminho suave e perdido no meio da natureza, chamativo a distância, com um lago bem em frente com obras que também nos conduzem até ele. O prédio em si não tem um longo percurso, seu externo impacta mais do que elementos internos, já que só sustenta essa obra e uma cafeteria ao lado, fora que ele é bem aberto, dando ainda menos impacto à estrutura e mais ao ambiente no qual está inserido.
  • Observar o prédio no contexto do Inhotim. Como se dá sua inserção na paisagem? Como são os percursos até o prédio? Como já dito, na paisagem o prédio é refletido no lago e está quase perdido no meio do mato, e há muitas plantas ao redor e algumas outras obras ao ar livre.  O percurso tem um caminho sinuoso, mas delicado e gentil ao olhar, principalmente perto da entrada.

Observação Pós-Descrição:  

É fato que minha primeira análise pouco teve a ver com o que a obra realmente significava e significou. O artista tinha outros olhos e objetivos que não incluiam nem um pouco a religião ou o sangue, pelo menos na descrição, mas focou muito na performance e na expressão livre, mas que se sujeitou a apenas um momento durante a execução, hoje a obra é estática e intocável, o que eu sinceramente acho um desperdício de tempo, espaço e criatividade. Entretanto, sua beleza e escolha de materiais é notória e singela, dando uma atmosfera áustera para a obra, que se diferencia muito de todo o resto ao redor. Ela é praticamente um ponto branco e vermelho no meio da expressão natural da vida, mas também já foi expressão da vida humana, hoje são apenas memórias.

Fotos de Inhotim:





























 

Conclusão: 

Nossa galeria foi muito singular em comparação as outras, como podemos ver pelas minhas análises acima, mas ela foi também ponto de partida e criadora de curiosidade e interesse por outras obras. Essas fizeram o meu dia e provocaram meu desejo por uma profunda e longa exploração de todo o conjunto. Queria muito ter visitado os jardins, mas infelizemente, ou felizmente, ficará para uma próxima vez. 

Inhotim é realmente único e merece dias de atenção, com horas de dedicação e curiosidade. Se você for com isso em mente, é prazer arquitetônico e artístico garantidos, e se for com o grupo certo, a diversão também será. 

Comentários

Postagens mais visitadas